Quando a poesia se afastar de mim

Com que palavra começo, Qual frase escolho, Para abrir esse verso, Que reescrevo de novo.   Se eu fosse poeta, De palavra certa, De rima perfeita, Saberia a receita.   Mas não sei o que faço Escrevo calado, Sussurrando baixo, Pra que ninguém no quarto Me ache poeta   Uma coisa é certa, Uma dúvida…

O sinal

Na solidão de nossa bolha automotiva, o sinal de trânsito é uma praça. Carregadores de celular, água mineral, peças de carro, serviços inúteis, limpador de para-brisa, água explode no vidro, ofertam o serviço, na mais feroz das recusas. O ato de negar torna-se mero ritual, após a negação vem a oferta, duas moedas da caixinha…

A tornearia

O torneiro e suas máquinas, seus ferros, sua tornearia, não é mecânico, é criador, lá não há prazo, há serviço bem feito, artista do ferro e do fogo, da prensa, do torno, arte de Ogum, Angra, Prometeu, dos hominídeos, da combustão, da explosão de estrelas mortas, pra ele não importa, chegou um cliente, gira, abaixa, fura,…

Afinal, devemos temer a violência?

Diariamente nos noticiários, nas conversas entre amigos, nos sermões familiares, em nossos pensamentos, ecoa unânime uma mesma preocupação: a violência. Uma pesquisa realizada esse ano pelo Datafolha revela que o maior medo entre os jovens brasileiros é a morte de parentes. Mas afinal, devemos temer a violência? Somos seres violentos? Talvez eruditos de outros séculos…

Sexta ela não foi, domingo ela não vai

Há momentos em que não se posicionar é tomar uma posição, assim estive até então. Enquanto o debate político for pautado pela discussão de projetos de governo, não de nação, não se manifestar é um chamado à reflexão. Parece que todas as nossas aspirações ficaram limitadas a esse ou aquele projeto de governo. O Estado…