A violência nas escolas não pode ser banalizada

Há uma questão que precede todas as outras no caso da professora agredida: a violência em sala de aula. Nenhum debate em torno do tema pode secundarizar essa questão.

De acordo com os dados da Prova Brasil 2015, aplicada a diretores, alunos e professores de todo o país, mais de 4,7 mil professores já sofreram atentados à vida nas escolas em que lecionam, 22 mil já foram ameaçados, milhares já presenciaram alunos em sala de aula com armas brancas e de fogo. Em outra pesquisa feita pela OCDE, coloca o Brasil em primeiro no ranking de 34 países membros da organização quando o assunto é violência na escola, pela pesquisa, 12,5% dos professores brasileiros disseram sofrer violência verbal ou intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana.

Apesar do discurso difuso de valorização da educação que permeiam todos os espectros políticos, pouco esforço é feito para lidar com o problema. Nenhum plano de educação pode ser viável se não lidamos com o problema de que mais de um décimo dos professores são semanalmente intimidados em sala de aula, que escolas no RJ são fechadas por semanas durante a guerra do tráfico e operações policiais, em um ambiente onde mais de 70% dos professores já presenciaram brigas entre alunos em sala de aula.

Pacificar a escola é a primeira política de pacificação em qualquer comunidade, porque as crianças e adolescentes que ali estão, oriundos de um contexto de violência, podem na escola ter uma referência de convivência pacífica, e, portanto, deve ser prioridade não apenas nas políticas educacionais, mas também nas de segurança pública.

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